O PSDB e o governo Dilma (PT) querem entregar de vez o Pré-Sal para as transnacionais

O projeto de Serra só prejudica os interesses estratégicos do Brasil

Zika e microcefalia: O governo perde feio para o mosquito

As mulheres é quem devem decidir se prosseguem ou não a gestação

O que está por trás das denúncias e do apoio a Lula?

Com o momentâneo arrefecimento do impeachment de Dilma, disputa mira 2018

17 de março de 2014

O que os comerciais de Dilma para o 8 de março escondem


Fabíola Calefi (Petroleira e membra da Executiva Nacional do MML - Movimento Mulheres em Luta)

Explorando o 8 de março, Dia Internacional da Mulher Trabalhadora, o PT lançou duas propagandas com temática feminista para impulsionar a candidatura de Dilma nas eleições de 2014. Em 60 segundos, um mundo repleto de oportunidades e esperanças é desenhado para a nova mulher brasileira.

Uma das afirmações presentes nas propagandas é de que “com o apoio do governo do PT a mulher constrói com suas próprias mãos um Brasil menos desigual... A força da mulher é a nova força que move o Brasil”.

Infelizmente, essa frase - muito bela em sua forma - não corresponde à realidade. Na verdade, ao contrário que afirma a presidente, o dia a dia da mulher brasileira continua sendo uma grande batalha, inclusive em defesa de sua própria vida. Isso porque a violência e a opressão à mulher aumenta assustadoramente. 

O chocante aumento do número de mulheres assassinadas e violentadas nos últimos anos no país é expressão brutal da realidade que o PT não falou na TV. Neste texto buscaremos esclarecer a verdade que Dilma e o PT tentaram esconder na TV. 

Um país mais justo?
O PT, há 11 anos no poder, tem lançado sistematicamente uma ofensiva ideológica para convencer a população de que vivemos num país mais justo. De acordo com esta lógica, o abismo que existe entre a imensa maioria mais pobre e a minoria rica estaria diminuindo na última década. No entanto, o que persiste é justamente o oposto: vivemos em um país em que a parcela mais rica da população está cada vez mais rica. 

Os lucros recordes dos banqueiros são apenas um exemplo. Recentemente, pudemos atestar que o lucro dos bancos brasileiros é maior que tudo o que é produzido por 83 países! Além disso, enquanto as famílias brasileiras de baixa renda, a maioria chefiadas por mulheres, sofrem um grande endividamento, com altas taxas e juros, o rico brasileiro é menos taxado do que na maioria dos países que compõe o G20.

A elite brasileira não tem motivos para reclamar. Para se ter uma ideia, nos dez anos de PT o número de bilionários brasileiros saltou de 6 para 65. Um recorde do qual não temos nenhum orgulho. 

Como pontuou com precisão Valério Arcary, em seu artigo 'Não existe uma nova classe média no Brasil', publicado no blog Convergência, "a desigualdade social brasileira não só não foi atenuada como aumentou, quando comparada com a situação ao final dos anos 80, ainda que o país esteja menos pobre. Menos pobreza, em termos absolutos, não deveria ser aceito como sinônimo de menos injustiça. (...) As políticas sociais compensatórias foram eficazes na redução da extrema miséria, mas são insuficientes para garantir uma desigualdade social menor. Alguns acreditam que o crescimento sustentado, diminuindo o desemprego, e elevando o salário médio, poderia garantir maior mobilidade social".

Qual é a realidade da trabalhadora brasileira?
Sejamos honestos: as mulheres trabalhadoras recebem 30% menos que os homens que executam as mesmas tarefas e são, em média, 70% chefes de família. Além disso, trabalham 3 vezes mais que os homens, por conta da dupla ou tripla jornada de trabalho que precisam desempenhar com as tarefas domesticas (limpeza, alimentação, etc) e cuidados na educação e desenvolvimento das crianças. São a maioria que enfrenta o precário e sucateado sistema de saúde e transporte público. 

Portanto, é impossível acabar com a desigualdade pelas próprias mãos. O que o PT e Dilma fazem com esse discurso é se eximir da responsabilidade de investir, criar e desenvolver políticas públicas sérias e efetivas no combate à violência a mulher e na melhoria dos serviços públicos.

Neste sentido, também somos obrigados a discordar de Dilma quando ela afirma, em sua propaganda, que “a mulher brasileira nunca teve tanto apoio como nos governos do PT... 779 mil mulheres com crédito rural... Mais de 5 milhões com microcrédito... 800 mil contratos Minha Casa, Minha Vida..quando a força da mulher encontra apoio nas políticas do governos abre-se um novo mundo de oportunidades”. 

Pelas próprias palavras da presidenta, o que podemos atestar é que o governo incentivou, na verdade, o endividamento das mulheres trabalhadoras e pobres, ao mesmo tempo em que garantiu muitos recursos financeiros para os bancos e muito lucro para os empresários da construção civil - um dos setores que mais injetaram e injetam dinheiro nas campanhas eleitorais do PT. 

O programa Minha Casa, Minha Vida, por exemplo, está longe de contemplar quem de fato está inserido no drama da moradia brasileira porque não encara como prioridade a faixa de renda mensal de 0 a 3 salários mínimos, que concentra 70% do déficit habitacional. Entre 2011 e 2014, apenas 15% das moradias do programa contemplaram famílias com renda de até R$ 1.600. Por isso, reivindicamos o artigo de Toninho Ferreira, quando diz que "essa situação se explica porque a política habitacional brasileira é feita para gerar lucros e incentivos aos grandes empresários da construção civil e do setor imobiliário, e não para resolver o problema habitacional, urbanístico e fundiário do Brasil".

Enquanto foram investidos bilhões de reais para a construção e reformas de estádios para a Copa do Mundo, nos 10 anos de governo do PT apenas R$ 0,26 centavos/mulher foram destinados para as políticas para mulheres. Isso mesmo, não há um erro de digitação. São vinte e seis centavos por mulher!

A teoria do empoderamento
Os números citados acima nos ajudam a chegar a uma conclusão: ter uma mulher no poder, em posições de destaque na política, na economia ou em qualquer outra esfera da sociedade é insuficiente. Não consegue, por si só, representar uma conquista prática para as mulheres trabalhadoras.

Esta é uma das grandes contradições da teoria do empoderamento - muito defendida por Dilma, pelo PT e pela maioria dos partidos que se reivindica de esquerda. Para eles, o empoderamento das mulheres seria uma das principais soluções, senão a principal, para acabar com o machismo e as mazelas que atingem as mulheres. 

De maneira muita simplificada, empoderar uma mulher é possibilitar que ela conquiste espaços antes ocupados apenas por homens. Mas nem todas as mulheres conquistam esses espaços, pois são reservados em sua maioria às mulheres burguesas. Afinal, são elas que - dentro de um cenário já muito desigual e reduzido - têm mais condições de competir com os homens que ocupam esses cargos. 

Ou seja, uma ínfima minoria de mulheres assume postos de poder. E isso de fato muda a realidade das mulheres trabalhadoras? Não. Porque no chão de fábrica, no lar, no transporte, na rua, a esmagadora maioria das mulheres continua sofrendo violência e se submete ao trabalho precário para sobreviver. 

Precisamos de mudanças profundas!
O PSTU exige que o governo implemente de fato políticas públicas eficazes no combate à violência com a ampliação da Lei Maria da Penha; combate ao assédio moral e sexual no trabalho; contra o Estatuto do Nascituro, que criminaliza a mulher e submete ao seu violentador; melhoria nos serviços públicos como creche e escola integrais; e saúde de qualidade e transporte público eficiente.

14 de março de 2014

Maria Antonieta (PMDB) e Aldo Rebelo (PCdoB), uma parceria contra o povo do Guarujá

14/03/2014 - Na manhã desta sexta-feira, 14 de fevereiro, o Ministro do Esporte, Aldo Rebelo (PCdoB), visitou Guarujá para fazer uma "vistoria" no Estádio Municipal Antônio Fernandes, que receberá os treinamentos da seleção da Bósnia. 

Na prática, ao lado da prefeita Maria Antonieta (PMDB), Aldo Rebelo desembarcou na Baixada Santista para tirar fotos à imprensa e fazer discursos ufanistas sobre o suposto "legado" de uma copa que antes mesmo de sua abertura já demonstra ser campeã no quesito desperdício de recursos públicos.

Guarujá é uma expressão contundente do desperdício de dinheiro público com um evento que será muito positivo... não para o povo, que desde as jornadas de junho exige saúde, educação, transporte e moradia de qualidade, mas sim para a FIFA e as empresas patrocinadoras do evento, que já vislumbram arrecadar lucros recordes no Brasil.

No total, serão investidos quase R$ 20 milhões em um estádio que após alguns meses não terá qualquer função social para a população. A remessa enviada pelo governador Geraldo Alckmin está estimada em R$ 12 milhões; já o Governo Dilma, através da pasta de Aldo Rebelo, estimou um repasse de R$ 4,5 milhões.

Tem dinheiro pra Copa, mas não tem pra saúde
Diante da situação caótica que vive a cidade, sobretudo em relação aos serviços públicos de saúde e à segurança, a afirmação "tem dinheiro pra Copa, mas não tem pra saúde" está na boca de muitas trabalhadoras e trabalhadores da cidade.

Há quem possa argumentar que não se pode misturar essa discussão, pois os recursos destinados à Copa não poderiam, de qualquer forma, ser investidos em saúde. No entanto, muito mais do que uma questão técnica ou administrativa, a aplicação de R$ 20 milhões em um estádio que servirá apenas de treinamento tem uma explicação fundamentalmente política: Dilma, Alckmin e Antonieta governam para os ricos, para os empresários, deixando ao povo pobre promessas, palavras ao vento e migalhas.

Afinal, como explicar tamanha disposição política para receber a Bósnia ao mesmo tempo em que a prefeita Maria Antonieta afirma, sem constrangimento, não ter recursos para contratar um pediatra para o Pronto Socorro de Vicente de Carvalho - distrito do Guarujá cuja população representa quase metade do total de habitantes do município (mais de 150 mil pessoas)?


Ato no dia 28/02, próximo à Prefeitura, cobra de Antonieta mais investimentos em saúde em Vicente de Carvalho

Além da falta de equipamentos básicos, como remédios e ambulâncias, o único Pronto Socorro que existe não dispõe de um único pediatra. Não por acaso, foi palco de uma tragédia anunciada em janeiro: por falta de atendimento, uma criança de um ano e oito meses faleceu.

Recentemente, Guarujá ainda ganhou um título ingrato: foi a cidade com maior taxa de roubos em 2013 no estado de São Paulo, fruto da falência de políticas públicas para a geração de empregos e formação educacional de qualidade.

Por isso, é com grande indignação que encaramos a visita de Aldo Rebelo ao Guarujá. Suas declarações estão desprezam por completo o drama de centenas de famílias que diariamente sofrem com o sucateamento dos serviços públicos. "Não estou satisfeito, estou muito satisfeito", disse o ministro sobre o estádio. Evidentemente, seria um tanto espinho se ele fosse forçado a responder, ao lado de Antonieta, se está satisfeito com a situação da saúde pública não só do Guarujá, mas de todo o país.

Na Copa vai ter luta! 
Desde as jornadas de junho, os governos vêm fazendo um enorme esforço para fechar o ciclo de lutas que se abriu quando milhões de brasileiros foram às ruas lutar contra as injustiças da Copa e exigir mais investimentos nos serviços públicos - completamente abandonados.

E essa tentativa não vem sendo feita apenas com declarações na imprensa, apenas pela disputa ideológica das palavras. Por trás de entrevistas como a de Aldo Rebelo, para quem "a grande manifestação será a realização da Copa, porque no futebol o que importa é o próprio futebol", existe um forte aparato repressivo para criminalizar os lutadores e transformar todos aqueles que vão às ruas em terroristas.

No Guarujá, um ato que reuniu mais de 100 pessoas no dia 28 de fevereiro contra o caos na saúde experimentou a repressão policial na pele. Um contingente desproporcional de policiais militares, auxiliados por dezenas de guardas municipais, foi destacado para intimidar e cercear o direito de manifestação. Por muito pouco não assistimos a uma violência gratuita contra mulheres e até mesmo crianças. Fuzis foram apontados para os manifestantes e um deles, o pai da criança que faleceu pelo descaso da Prefeitura, chegou a ser agredido fisicamente.









Na imagem, fica claro o aparato desproporcional destacado pela PM para intimidar o ato contra o caos da saúde

Para Aldo Rebelo, "há pequenos grupos interessados em perturbar a Copa" e que "se houver manifestações, serão mínimas". A realidade nos mostra o inverso. Está cada vez mais evidente que "nunca foi só por 20 centavos" e que o povo voltou a acreditar em suas próprias forças, voltou a experimentar o poder da luta direta. 

Os garis, com sua greve vitoriosa sobre o autoritarismo de Eduardo Paes, nos mostrou o caminho: é preciso lutar, é possível vencer. O povo do Guarujá vem se organizando. Maria Antonieta e Aldo Rebelo que se cuidem, porque na copa vai ter luta!

11 de março de 2014

CSP-Conlutas realiza 1° Encontro de Negras e Negros

Sob os ventos das mobilizações de junho – que também tem repercutido nos “rolezinhos” e nas rebeliões populares contra as péssimas condições de transporte e moradia que vem acontecendo desde o início do ano –  será realizado, no dia 23 de março, o I Encontro do Setorial de Negros e Negras da CSP-Conlutas, cujo tema é: Chega de racismo, violência, exploração e dinheiro para a Copa!

O principal objetivo do Encontro é aprofundar a organização de negros e negras, em aliança com movimentos sindical, estudantil, popular, indígenas, feminista e LGBT, buscando, também, discutir e construir um plano de luta e resistência, seja nas cidades, seja nas comunidades quilombolas. O Encontro será realizado Sindicato dos Metroviários de São Paulo e será precedido de dois importantes eventos.

A pauta do Encontro
No dia 21, às 19 horas, um ato público irá lembrar o Dia Internacional de Combate ao Racismo, criado em função de um dos episódios mais lamentáveis da história do racismo: o Massacre de Shaperville que deixou 69 mortos, na África do Sul, em 1960.

No sábado, dia 22, os ativistas do Setorial irão se juntar aos demais setores da CSP-Conlutas em um Encontro Nacional para preparar as mobilizações durante a Copa. Uma atividade fundamental também do ponto de vista racial, já que sabemos que são exatamente negros e negras os que mais sofrem com o desvio e confisco dos investimentos que deveriam ser destinados para moradia, transporte, saúde e educação. Neste dia, as atividades serão encerradas com uma “Festa Negra”

Durante o Encontro, no domingo, além de traçar um plano de luta contra a violência cotidiana provocada pela falta de acesso aos direitos mínimos, os negros e negras do Setorial irão lançar uma grande campanha contra um tipo ainda pior de violência: aquela que é praticada pela polícia (fardada ou encapuzada) e é responsável pelo genocídio da juventude negra nos bairros populares.

Por trás do racismo e do genocídio, a farsa da “democracia racial”
O Encontro também será uma oportunidade para desmascarar o “Mito da Democracia Racial” e da cordialidade entre todas as “raças”, uma ideologia que tenta “invisibilizar” o racismo, como forma de conter as rebeliões e levantes, mas que, contudo, não consegue resistir à realidade dos fatos.  

Esta farsa que prega que neste país negros e brancos convivem em perfeita harmonia tem sido contestada tanto pelas inúmeras demonstrações de racismo que vemos cotidianamente quanto pelas muitas lutas que têm sido travadas pelo movimento negro nas últimas décadas.

Em 2013, o sumiço do pedreiro Amarildo colocou em evidência a crueldade do racismo em um país onde ser negro significa ter 135% mais chances de ser assassinado do que um branco. Recentemente, vimos outro exemplo da brutalidade racista na imagem de um jovem acorrentado a um poste no Rio de Janeiro por “justiceiros” saudosos da época dos pelourinhos e senzalas (veja box abaixo).

No mesmo período, o jogador Tinga, do Cruzeiro, foi discriminado e hostilizado pela torcida durante a “Libertadores da América”, no México. E sua resposta deveria servir de exemplo para tantos outros jogadores que têm se calado diante do racismo  e da violência decorrente dele: “trocaria todos os seus títulos para que acabasse a discriminação racial e de classe em qualquer parte do mundo”. Uma reação que, com certeza, é um reflexo dos avanços do movimento negro através de suas lutas.

Algo que, lamentavelmente, também tem sido acompanhado pela violenta repressão patrocinada pelo Estado brasileiro – através dos governos municipais, estaduais e, também, o federal – e que tem se voltado, de forma crescente, contra os trabalhadores pobres (brancos ou negros), através das Unidades Pacificadoras (UPPs), as mesma que assassinaram Amarildo, ou a ação de justiceiros que, noite a após noite, promovem sangrentas chacinas nas periferias. 

Uma aliança de “raça e classe”
Não temos dúvidas que tudo isto só tende a se intensificar com a proximidade da Copa, o que também aumenta a importância do Encontro do Setorial de Negros e Negras da CSP-Conlutas, particularmente em um momento em que, infelizmente, boa parte das organizações negras foi cooptada pelo governo petista, deixando o movimento negro em uma enorme crise de direção.

Por isso mesmo, este Encontro tem como objetivo avançar na unidade de negros e negras e os demais setores da classe trabalhadora, numa aliança de “raça e classe”, independente dos patrões e dos governos, que ofereça uma alternativa para um combate sem tréguas contra o racismo e seus agentes.

Todos ao Encontro!  

Programação

21 de março, às 19h: Ato político no Dia Internacional de Luta contra o Racismo

22 de março, às 20h: Grande festa negra

23 de março, das 9h às 17h: I Encontro Nacional de Negras e Negros da CSP-Conlutas

Todas as atividades  ocorrerão no Sindicato dos Metroviários de São Paulo

 *Com contribuições de Yuri Rocha

Publicado originalmente no Opinião Socialista 475

Dia Internacional da Mulher Trabalhadora: 5 mil em SP

Nem a forte chuva que caía na capital paulista foi suficiente para espantar milhares de mulheres que se reuniram nesse ato do 8 de março em São Paulo. Cerca de cinco mil pessoas compareceram ao ato, que reuniu amplos setores do movimento sindical, popular, além de partidos políticos e movimentos feministas.

A concentração se iniciou no vão livre do Masp. "Estamos aqui nesse lugar simbólico onde, no ano passado, centenas de milhares vieram para exigir direitos como saúde e educação", afirmou Camila Lisboa, do Movimento Mulheres em Luta, ligado à CSP-Conlutas, e militante do PSTU, referindo-se às Jornadas de Junho. Camila denunciou a violência machista e lembrou da companheira Sandra Fernandes, ativista do MML e militante do PSTU morta a facadas junto a seu filho no dia 17 de fevereiro em Pernambuco. Sandra foi lembrada ainda nos adesivos e cartazes das ativistas do MML e do PSTU.

Além das críticas em relação aos gastos da Copa, o ato trouxe as reivindicações históricas do movimento feminista, como a luta contra a violência machista e o direito ao aborto. A heroica greve dos garis também foi lembrada em diversos cartazes de solidariedade. Felizmente, a chuva deu uma trégua e o sol abriu quando o ato saiu em passeata pela Avenida Paulista.

Palavras de ordem e paródias de músicas davam o tom bem-humorado do protesto, como o funk feminista: "O Estado é laico/ não pode ser machista/ O corpo é nosso/ não é da bancada moralista/As mulheres estão na rua por libertação/Lugar de estuprador não é na certidão" . Os gastos com a Copa também foram ironizados numa marchinha de carnaval."Essa Copa pra quem é/ Não é pra mulher, não é pra mulher/ Não tem dinheiro para Saúde, não tem para Educação/Não tem dinheiro para Transporte/E para Fifa tem mais de um bilhão", dizia a música no ritmo da marchinha Cabeleira do Zezé, revertendo o caráter homofóbico da canção num sentido feminista.

A passeata percorreu a Avenida Paulista e terminou na Praça Roosevelt, onde houve diversas falas das organizações e partidos envolvidos no ato. Ana Luiza Figueiredo falou em nome do PSTU, destacando o papel das mulheres nas principais lutas que ocorrem hoje no mundo. "Nós, mulheres trabalhadoras, estivemos à frente das revoluções do Norte da África, estamos na Síria, na Europa, e por toda a América Latina, onde trabalhadores e principalmente trabalhadoras se levantam contra a exploração e o capitalismo", destacou a dirigente.

Ana Luiza também criticou a falta de políticas públicas às mulheres por parte do governo Dilma e do governo municipal de Fernando Haddad (PT), destacando ainda a repressão aos movimentos sociais e as leis anti-manifestação. "Nós, mulheres, trabalhadores e a juventude, não vamos sair das ruas, não adianta o AI-5 da Dilma ou a repressão de Alckmin, nós não vamos deixar as ruas", disse.

25 de fevereiro de 2014

Nesta sexta-feira, 16h, Ato contra caos na saúde do Guarujá!

No próximo dia 28, sexta-feira, às 16h, um ato com concentração em frente ao Guaibe, em Vicente de Carvalho, irá marcar novamente a luta da população contra o descaso com a saúde pública do Guarujá - completamente abandonada.

O caos é tão grande que a carência no setor afeta as necessidades mais básicos dos usuários. Falta de tudo: médicos, remédios, equipamentos e até ambulâncias! Diante disso, não poderia ocorrer outro fato senão uma tragédia anunciada: no dia 2 de janeiro uma criança de um ano e oito meses morreu no PS de Vicente de Carvalho por falta de atendimento médico adequado. 

Sem nenhuma resposta efetiva da prefeita Maria Antonieta (PMDB) para resolver o caos que se transformou a saúde do Guarujá, o povo se organizou e foi às ruas. Uma primeira vitória, fruto da mobilização, já foi alcançada: a prefeita foi obrigada a recuar no plano absurdo de fechar o PS de Vicente de Carvalho.

Entretanto, essa vitória parcial não é suficiente para reverter o quadro terminal da saúde pública da cidade. Primeiro, a prefeitura fechou a maternidade do PAM da São João. Agora, tiraram também o serviço de pediatria, que só é encontrado no PAM da rodoviária. 

Essas medidas vão na contramão de um (TAC – Termo de Ajustamento de Conduta), firmado pela prefeita com o Ministério Público. Este acordo obriga a prefeitura a garantir o funcionamento de qualidade em todos os postos de saúde. Mas, pelo visto, a prefeita resolveu rasgar este compromisso.

Tem dinheiro pra Copa, mas não tem pra saúde!
As injustiças que já se espalham pelo país por causa da Copa do Mundo, e a fortuna despejada para o evento megabilionário da FIFA, também ganhou terreno fértil no Guarujá. O uso de recursos públicos para interesses privados, enquanto a saúde e a educação pedem socorro, ganhou um episódio lamentável pelas mãos de Antonieta: a Prefeitura decidiu gastar mais de 20 milhões para receber a seleção da Bósnia e reformar o Estádio Municipal da cidade, expulsando as famílias que vivem em torno.

O mesmo que é feito no estado por Geraldo Alckmin (PSDB) e em nível nacional pela presidente Dilma, está sendo feito pela prefeita. Este recurso, utilizado de maneira irresponsável para abrigar o treinamento de uma seleção de futebol, poderia ser destinado à construção de moradias populares para resolver os problemas de infraestrutura dos bairros, tirando do papel obras como a do Santo Antônio e Mangue Seco; ou na ampliação das creches e melhorias na educação. Mas nada disso acontece, porque o com compromisso dos governos é com os grandes empresários e os ricos, não com o povo pobre e trabalhador.

O PSTU apoia a mobilização popular dos trabalhadores e trabalhadores de Vicente de Carvalho, se somando à luta e exigindo do governo as seguintes reivindicações:

- Retorno imediato da pediatria no PS de Vicente de Carvalho!
- Não ao fechamento do PS! 
- Exigimos o cumprimento do TAC!
- Contratação de mais médicos e funcionários para todos os postos de saúde do Guarujá! 
- Mais investimentos em saúde pública, basta de privatização!

13 de fevereiro de 2014

Por uma frente de esquerda e socialista em SP

13/03/2014

Carta aberta à militância do PSOL, PCB e do conjunto dos movimentos sociais combativos do estado de São Paulo

PSTU-SP
As gigantescas manifestações de junho abriram uma nova realidade política. As ruas foram tomadas por milhões de jovens e trabalhadores indignados com a falta de transporte, moradia, saúde e educação de qualidade. Mas não foi só isso. A revolta contra a corrupção se combinou com ódio à violência policial e à manipulação da grande mídia. Apesar da onda repressiva orquestrada pelos governos de plantão, as manifestações seguem se espalhando e questionando os poderosos.

O descontentamento do povo tem explicação clara: o dinheiro que falta para investir nas áreas sociais, sobra para as obras faraônicas dos estádios da Copa do Mundo e para as isenções fiscais às grandes empresas.  Enquanto a FIFA está lucrando bilhões de dólares numa Copa recheada de corrupção, o povo pobre morre nas filas dos hospitais, faltam vagas nas creches públicas e o transporte público segue um caos.  E não para por aí. As famílias pobres sofrem para pagar os alugueis exorbitantes e os operários convivem com o fantasma da demissão, como demonstra recentemente,a covarde demissão de centenas de metalúrgicos da GM de São José de Campos. O fato é: vivemos em um país campeão em desigualdade social!

Porém, para desespero dos governos e dos patrões, o ano começou quente, e não foi só na temperatura! As manifestações contra os desmandos da Copa, os rolezinhos, as fortes greves de trabalhadores, como a dos operários do Comperj (RJ) e a dos rodoviários no Rio Grande do Sul, são apenas uma pequena demonstração do que está por vir. Apenas começamos!

Frente a esse cenário, é decisivo ampliar e unificar as lutas em curso. A unidade dos explorados e oprimidos é chave para enfrentar os governos e arrancar conquistas. É necessário cercar de solidariedade ativa cada greve operária, manifestação estudantil e mobilização popular. É hora de conjugar as lutas e retomar as grandes manifestações que sacudiram o país!

Neste sentido, é preciso uma ampla unidade para repudiar veementemente as tentativas do governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), e de setores da grande imprensa de responsabilizar o PSOL e o PSTU pelos fatos que geraram a morte do cinegrafista Santiago Andrade. Querem manipular os fatos para atingir as mobilizações de conjunto e quem as apóia e luta diariamente para que elas voltem a contar com milhões de jovens e trabalhadores nas ruas.


Para avançar nesta tarefas fundamentais, acontecerá um grande encontro nacional no dia 22 de março, na cidade de São Paulo, convocado pelo Espaço de Unidade de Ação (movimento que é integrado pela CSP-Conlutas, Feraesp, entre outras entidades nacionais) e que tem como objetivo definir e organizar um plano de ação que unifique os movimentos numa grande jornada de protestos durante a Copa do Mundo.

É muito importante que todas as forças se unifiquem no encontro de março. Afinal, a esquerda socialista tem uma tarefa fundamental: participar ativamente das lutas atuais propondo a unificação delas num grande movimento nacional que questione os desmandos da Copa do Mundo e derrote a criminalização e a repressão aos movimentos sociais.

Na Copa vai ter luta! E começa já! Chega de dinheiro para a Copa, a FIFA e as grandes empresas! Mais dinheiro para moradia, saúde, educação e transporte público e de qualidade!

Propomos a construção de uma alternativa classista e socialista nas eleições
Nas eleições é necessário apresentar uma alternativa socialista e classista para os trabalhadores e à juventude, que se contraponha à direita tradicional (PSDB) e também ao PT e seus aliados burgueses (Maluf, Temer, Sarney). Por isso, defendemos a construção de uma Frente de Esquerda e Socialista nas eleições de 2014, tanto em nível nacional como no estado de São Paulo. O programa da Frente deve partir das reivindicações levantadas em junho e se combinar com a defesa de medidas anticapitalistas e socialistas que atendam às demandas mais sentidas dos trabalhadores, da juventude e da maioria do povo.

O governo do estado de São Paulo está dominado pelos tucanos há duas décadas. Depois de tanto tempo, uma verdade é evidente: os governos do PSDB amam os ricos e odeiam os pobres! Geraldo Alckmin segue à risca esta lição. Não por menos, é o responsável direto pela escalada de repressão aos movimentos sociais, como vimos de forma inequívoca com a tentativa de assassinato do companheiro Fabrício por 3 policiais militares e no massacre aos moradores do Pinheirinho. Na mesma linha, Geraldo segue conivente em relação à onda de crimes de homofobia e aos constantes assassinados da juventude pobre e negra das periferias.

Mas não é tudo. Seu governo está afundado na lama dos escândalos de corrupção do Metrô e trens. Nesse momento, aparecem provas cabais do pagamento de propinas de grandes multinacionais para expoentes das administrações do PSDB no estado. Enquanto a população passava - e passa - sufoco nos trens e metrôs da grande SP, com a superlotação e os seguidos defeitos no sistema, os políticos tucanos enchiam os bolsos com dinheiro público. Por isso, o povo sente a necessidade cada vez mais urgente de colocar Alckmin para fora - o governador corrupto e ditador!

Infelizmente, os governos do PT também não são alternativa. Aliaram-se aos partidos burgueses, representados por figuras sinistras da política brasileira, como Michel Temer, Maluf, Sarney, Renan, Feliciano, Collor e um longo etc, sempre para governar de acordo com os interesses das grandes empresas e contra os trabalhadores e a maioria do povo.

Dilma privatiza o Pré-sal, não garante os 10% do PIB para a educação pública e segue repassando dinheiro público para as grandes empresas. E, em pleno ano que se recorda com triste memória os 50 anos do Golpe Militar no Brasil, quer impor uma lei que visa criminalizar ainda mais as mobilizações e os movimentos sociais, transformando-os em “terroristas”.

Pela primeira vez temos uma mulher na presidência da República, mas não vemos uma mudança real para as mulheres, especialmente no tocante às trabalhadoras. Seguem as diferenças salariais e a verdadeira epidemia da violência contra a mulher – revelando a “olhos vistos” os limites da Lei Maria da Penha.

Haddad na Prefeitura da maior capital do país segue a mesma cartilha do governo anterior, mantém os contratos absurdos e de péssima qualidade com os donos das empresas de ônibus, não garante o passe-livre para os estudantes e nem um IPTU progressivo sobre as grandes propriedades. Para piorar, segue com a aliança espúria com Paulo Maluf e seu partido, o PP.

Por outro lado, tampouco o PSB e a Rede são uma alternativa real ao governo de SP. No discurso, criticam o PT e o PSDB, mas na prática apresentam um programa de continuidade do modelo vigente.

O PSTU propõe que a Frente de Esquerda e Socialista seja construída de forma coletiva pelos partidos da esquerda socialista e pelo conjunto dos movimentos sociais combativos. Chamamos o PSOL e o PCB a conformarem esta frente, mas ampliamos este chamado aos movimentos socais combativos de São Paulo como a CSP Conlutas - suas entidades e movimentos filiados, o MTST, o MPL, entre outros para que, juntos, construamos o programa e as propostas desta frente eleitoral.

É fundamental garantir a discussão programática em plenárias e encontros abertos ao conjunto da militância dos partidos, ativistas das manifestações e movimentos combativos. Só assim, a frente poderá ser expressão verdadeira do desejo de mudanças que ecoam nas ruas!

Esta frente não pode ter nenhuma aliança com a burguesia e seus partidos. Do mesmo modo, não podemos aceitar financiamento de empresas, bancos e empreiteiras. O dinheiro de campanha deverá vir exclusivamente de doações dos trabalhadores, do povo pobre e da juventude. Nesse sentido, é preciso denunciar amplamente o financiamento privado das campanhas eleitorais, bancado principalmente pelos bancos e grandes capitalistas. Afinal, como diz o ditado popular: “quem paga banda escolhe a música!”.

As candidaturas a Governador (a), Vice-Governador (a), Senador (a) e Deputados (as) e a distribuição do tempo de televisão e rádio devem ser discutidas respeitando o peso social de cada uma das organizações envolvidas.  Posto isso, devemos evitar posturas hegemonistas, que impediram a unidade em outras eleições.

A nova realidade aberta em nosso país pelas grandes manifestações de junho pavimenta o caminho para a construção desta unidade. O PSTU acredita nesta possibilidade e não medirá esforços para que esta unidade seja concretizada.

São Paulo, 13 de fevereiro de 2014

Direção Estadual do PSTU-SP