O PSDB e o governo Dilma (PT) querem entregar de vez o Pré-Sal para as transnacionais

O projeto de Serra só prejudica os interesses estratégicos do Brasil

Zika e microcefalia: O governo perde feio para o mosquito

As mulheres é quem devem decidir se prosseguem ou não a gestação

O que está por trás das denúncias e do apoio a Lula?

Com o momentâneo arrefecimento do impeachment de Dilma, disputa mira 2018

6 de julho de 2016


Declaração da Direção Nacional do PSTU
Um setor de companheiros deixou as fileiras do PSTU para formar outra organização. Essa ruptura se deu depois de meses de um debate interno, amplamente democrático, em que apareceram diferenças políticas, de programa e teoria.
A diferença mais importante foi em relação a que posição tomar diante da queda do governo de colaboração de classes de Dilma, formado pelo PT e seus aliados burgueses. O setor que agora rompe com o PSTU se colocou contra a política do partido que se expressou na palavra de ordem de “Fora Dilma, Aécio, Temer, Cunha, fora todos eles!”
Na opinião dos companheiros, o PSTU deveria adotar como palavra de ordem principal “Não ao impeachment” e, nesse contexto, afirmar nossa oposição a Dilma e Temer. Defendiam que nosso partido participasse de atos da Frente Povo Sem Medo para chamá-los à formação de um terceiro campo que tivesse como eixo o “Não ao impeachment”.
A maioria do partido rechaçou esta posição por considerar que o “Não ao impeachment” e a participação em atos da Frente Povo Sem Medo significava, na prática, a mesma postura política da campanha contra o suposto golpe, deflagrada pelo PT para tentar manter Dilma no governo. A Frente Povo Sem Medo, encabeçada pelo MTST e o PSOL, foi simplesmente a ala esquerda da campanha pelo “Fica Dilma”.
A posição dos companheiros não leva em consideração que o governo Dilma, do PT, ao trair miseravelmente os trabalhadores e ao atacar seus direitos, despertou entre eles um ódio mais que merecido. Os trabalhadores queriam que o governo saísse, e esse sentimento era correto e justo. O governo Dilma não era “progressivo” frente a uma alternativa burguesa qualquer, como Temer, por exemplo. Para os trabalhadores eram iguais. Portanto, não há que se defender um contra o outro e sim lutar contra os dois. Fora Dilma, Temer Cunha e Aécio! Fora todos eles!
Por outro lado, em nossa opinião, os companheiros dão uma importância às eleições burguesas maior do que elas deveriam ter para os revolucionários. Defendem que precisamos estabelecer, sistematicamente, alianças e frentes com partidos como o PSOL, que é uma organização reformista, porque nos apresentarmos sozinhos seria nos isolarmos. Essa avaliação se apoia numa visão de que vivemos mundialmente um longo período em que não estará colocada a possibilidade de revoluções socialistas, mas apenas de revoluções democráticas e que, portanto, é imprescindível eleger deputados e participar do parlamento.
A maioria do partido não concorda com essa visão. O projeto do PSOL é radicalizar a democracia. O projeto do PSTU é fazer a revolução socialista. São coisas completamente diferentes. Não há como apresentar e construir no movimento uma alternativa revolucionária junto com uma reformista. Elas se opõem. Frente única e unidade de ação fazemos com todos, mas para a luta da nossa classe. Para construir uma alternativa revolucionária, é preciso apresentá-la com nitidez aos trabalhadores.
A experiência do PT está aí para iluminar essa discussão. O PT nunca foi um partido revolucionário. Era classista e, por isso, progressivo. Mas quando decidiu buscar alianças com outros partidos porque queria ganhar as eleições de qualquer forma, se transformou em outra coisa, nisso que estamos vendo aí hoje.
Os companheiros não quiseram esperar o congresso do partido porque já não estavam dispostos a seguir defendendo a política da maioria de nossa organização.
O PSTU lamenta que tenham decidido romper, pois sua saída enfraquece, sem dúvida, a luta por um partido revolucionário em nosso país. Esse retrocesso é um fato. Mas a luta da classe operária por sua libertação está repleta de obstáculos e revezes. É neles que se forja nossa firme determinação de construir o partido revolucionário.
Sem dúvida cometemos muitos erros, mas temos o orgulho de poder mostrar uma trajetória coerente e uma bandeira sem as manchas do oportunismo e da colaboração de classes. É nessa trajetória que continuaremos.
Os jovens que há 40 anos fundaram a Liga Operária, depois Convergência Socialista e hoje PSTU, tinham, desde o princípio, o projeto político de construir um partido que lutasse para que a classe operária faça uma revolução, tome o poder, acabe com a exploração capitalista, com toda a opressão e construa o socialismo. Um partido internacionalista, ligado desde sua fundação a uma internacional revolucionária, a Liga Internacional dos Trabalhadores – Quarta Internacional (LIT-QI). Disposto a fazer toda unidade de ação ou frentes para lutar pelos interesses dos trabalhadores, contra o capital e também contra toda opressão machista, racista ou lgbtfóbica, mas que nunca perca de vista esse objetivo maior.
Aos companheiros que acompanharam nossa trajetória nestes anos e ajudaram a construir o PSTU, mas principalmente aos milhares de operários e jovens que despontaram para a luta nestes últimos anos dirigimos este chamado: a hora é de intensificar esforços na construção dessa ferramenta revolucionária! Tomem esta bandeira em suas mãos!

16 de março de 2016

A odisseia de um terceirizado da Petrobras contra o desemprego

























Desde a explosão da Operação Lava Jato, cerca de 130 mil terceirizados da estatal foram demitidos; Raimundo Lima, caldeireiro, não está entre eles, mas não se sabe até quando. Nesta crônica da vida operária, Leandro Olimpio - jornalista e militante do PSTU - retrata um drama que é compartilhado por milhões de brasileiros: a ameaça do desemprego.


por Leandro Olimpio, para a revista digital Calle 2

A história de Ceará na Petrobras está guardada num sulfite A4. No bolso de trás da calça jeans, o currículo produzido para livrá-lo das assustadoras estatísticas de desemprego no país é apresentável. Está dentro de um papel pardo dobrado sem muito esmero, é verdade, mas esse detalhe parece ser capricho na vida de um operário que corre contra o tempo para não interromper uma história de 19 anos na Refinaria Presidente Bernardes de Cubatão, que fica encravada no pé da Serra do Mar, no litoral de São Paulo.

Ceará, que é Raimundo Lima na certidão de nascimento, entrou em greve no dia 14 de fevereiro com uma tarefa espinhosa: escapar de um exército cada vez mais numeroso, o de terceirizados demitidos no Sistema Petrobras. E não se meteu sozinho nessa briga. Todos os dias, por volta das 7 da manhã, passou a se reunir com os colegas de trabalho na porta da refinaria para − religiosamente − tomar a mesma decisão: permanecer em greve. Assim que os dirigentes do Sintracomos (Sindicato dos Trabalhadores na Construção Civil, Montagem e Manutenção Industrial) fechavam a assembleia, perguntando quem era a favor de seguir com o movimento grevista, erguiam os braços simultaneamente e soltavam gritos eufóricos para dizer em alto e bom som que ninguém ali abandonaria a luta. Certo dia, para surpresa e tristeza geral, um dos operários levantou o braço em defesa do retorno ao trabalho. Todos olharam pra trás, procurando o infeliz que resolveu quebrar a unanimidade. Era brincadeira.

Envolvendo cerca de 220 operários, não foram poucas as razões para a deflagração da greve. No fim do ano passado, a empresa em que Ceará trabalha, a MCE Engenharia − prestadora de serviços de manutenção na refinaria −, demitiu cerca de 20 trabalhadores e atrasou o pagamento de salários, participação nos lucros e benefícios. A situação, aparentemente pontual, se agravou. Calote no pagamento das férias de alguns funcionários, calote nas verbas rescisórias dos demitidos, calote no vale-alimentação. Os gerentes, que antes pediam compreensão, adotaram uma postura escorregadia e ignoravam os questionamentos sobre os atrasos. “Só repetiam não sei, não sei”. A quebra definitiva parecia uma questão de dias, mera formalidade. “Chegou uma hora que não tinha mais luva pra trabalhar, não tinha copo descartável pra tomar água”, lembra Ceará.

Alguns dizem que a ficha demorou a cair, percepção reforçada pela lembrança daqueles que até hoje buscam na Justiça as verbas rescisórias da Calorisol − empresa que antecedeu a MCE. Dessa experiência, ficaram duas lições. A primeira, garantir o pagamento de todos os direitos antes que a empresa resolva sumir − o que acontece com certa frequência. E, a segunda, lutar para que todos sejam admitidos pela empresa que for assumir o contrato com a Petrobras.

Por isso, Ceará não perdeu tempo e enfiou o seu currículo no bolso. Mas seria besteira reduzir sua história e chance de futuro a um pedaço de papel. O destino de um terceirizado que trabalha na manutenção da Petrobras depende muito mais do fiscal do contrato − função ocupada por um petroleiro concursado − do que de qualquer avaliação da empresa que irá assumir o serviço. Sempre foi assim, a nova empreiteira é oficialmente quem escolhe os funcionários, mas na prática o fiscal tem o poder de estipular quem ele quer que permaneça na Petrobras. A batalha, portanto, é ser um dos escolhidos para continuar na refinaria.

Ler a matéria completa em:
http://calle2.com/a-odisseia-de-um-terceirizado-da-petrobras-contra-o-desemprego/

8 de março de 2016

Caos em Cubatão: demissões, falta de moradias e ataques aos trabalhadores  

Os trabalhadores de Cubatão, uma das cidades que mais produz riquezas e arrecada no estado de São Paulo, estão sofrendo com o desemprego, os baixos salários e a falta de moradias dignas.

Quem passa no centro de Cubatão já não se assusta com as constantes filas de trabalhadores à procura de emprego em frente ao PAT. O fato é que nos anos de crescimento econômico os donos das indústrias de Cubatão encheram os bolsos, e, agora, ao primeiro sinal de diminuição dos seus lucros, atacam com demissões em massa, destruindo a vida de milhares de famílias.

E os governos e a prefeitura da cidade não fazem nada para ajudar. Pelo contrário, estão com os grandes empresários contra os trabalhadores.

Fechamento da Usiminas e calote na refinaria
O maior exemplo dessa grave situação são as demissões em massa na Usiminas. Calcula-se que as demissões podem chegar a atingir 10 mil empregos diretos e indiretos. Isso representa um verdadeiro desastre para o povo de Cubatão e da região.

Os donos da empresa dizem que estão tendo prejuízo e por isso precisam demitir. Mas vejamos se é assim. Os dois sócios majoritários, a japonesa Nippon e a Italiana Techint, estão brigando, pois um quer comprar a parte do outro. É mole? Dizem que a empresa vai mal, mas querem comprar mais ações. A verdade é que a Usiminas já gerou e continua gerando muita riqueza. Era pública e foi entregue de mão beijada pelo governo para empresários, que desde então vem enchendo os bolsos e atacando os direitos dos trabalhadores. A prefeitura de Cubatão, o governo do estado de São Paulo e o governo federal não podem ficar assistindo ao fechamento da Usiminas sem fazer nada. É necessário adotar medidas imediatas para preservar todos os empregos na Usiminas e garantir sua reestatização! 

Outro caso de privatização que está gerando desemprego na cidade é a empresa MCE Engenharia SA, terceirizada da refinaria. A MCE era responsável por boa parte da manutenção na RPBC. A terceirização desse serviço, que deveria ser feito pela própria Petrobras, envolve contratos milionários, mas para os trabalhadores sobram os baixos salários e os calotes. A MCE, depois de ganhar muito dinheiro, agora diz que faliu. Está devendo os benefícios para os trabalhadores e até a rescisão dos demitidos não foi paga. Por isso, os mais de 200 trabalhadores da MCE entraram em greve. No último dia 3 de março, a empresa oficialmente anunciou o fim do contrato e deixou como legado o desemprego.

A Petrobras precisa se responsabilizar por esses trabalhadores e as terceirizações devem ser revertidas, gerando empregos dignos. A verdade é uma só: as terceirizações fazem mal a Cubatão e ao país. E se o governo Dilma e o Congresso nacional aprovarem o PL 4330 vai piorar ainda mais, pois vai liberar de vez a terceirização.

Até a prefeitura de Cubatão entrou na onda de terceirizar serviços. A Cursan, contratada para cuidar da limpeza dos órgãos públicos tem varias reclamações de que, além da baixa remuneração, atrasa o pagamento do salário e a entrega da cesta básica. A prefeita de Cubatão, Márcia Rosa (PT), poderia abrir concurso e contratar pessoal próprio para essas atividades, mas de novo vence a lógica de atacar os direitos dos trabalhadores e beneficiar empresários com contratos milionários.

A falta de moradia é culpa dos governos!
Os moradores de Cubatão ainda sofrem com o problema da moradia. Os moradores das comunidades da Serra do Mar há anos vêm sofrendo com o terrorismo da CDHU e do governador do estado de São Paulo, Alckmin (PSDB), que usam ameaças de remoção violenta para expulsar famílias de suas casas. Muitas receberam apartamentos com graves problemas de infra-estrutura nos bolsões e Rubens Lara (Casqueiro). Outras ainda esperam a sua vez e recebem um auxilio aluguel de apenas 400,00 reais (300 da CDHU e 100 da prefeitura) - insuficiente para alugar um imóvel compatível com os preços praticados na cidade.

A bola da vez é a comunidade da Água Fria. A CDHU quer expulsar os moradores de suas casas sem oferecer moradia para as famílias. Quer dar apenas o auxílio aluguel de míseros 400 reais. Na atual situação de crise e desemprego muitas famílias não vão conseguir honrar o seu aluguel e podem acabar na rua. Os moradores de Água Fria exigem que sejam entregues as casas. E para aqueles que já estão recebendo o auxilio é urgente o aumento do valor até as moradias ficaram prontos. A prefeita Márcia Rosa (PT) diz que a prefeitura não tem dinheiro, a CDHU do governo Alckmin também alega não ter verbas: nada mais falso, estamos falando do estado que mais arrecada no país e um dos municípios que mais arrecada em São Paulo.

Cadê o dinheiro da merenda seu governador?
E para completar o descaso com Cubatão não podemos esquecer-nos dos mais jovens. Aqueles que estão ainda se formando para mais tarde trabalhar, como os estudantes da ETEC Cubatão. Nessa escola não tem merenda. Enquanto o PSDB de Alckmin se afunda cada vez mais no escândalo do desvio de verbas da merenda escolar, na ETEC os alunos tem que levar marmita de casa para almoçar. Cadê o dinheiro da merenda governador? E não é só a ETEC Cubatão, a maioria das escolas Técnicas do estado não tem almoço. Será que não daria para colocar almoço nas escolas se parassem de desviar o dinheiro?

O caminho é a luta!
A receita adotada pelos governos Dilma (PT), Alckmin (PSDB) e Márcia Rosa (PT) é a de jogar a conta da crise nas costas dos trabalhadores e do povo pobre, em benefício dos grandes empresários e dos poderosos. Por isso, lançam mão de demissões, cortes de verbas para as áreas sociais, terceirizações, ataques aos direitos, falta de investimento em moradia, etc.

Sendo assim, não dá pra confiar nesses governos dos ricos e poderosos. Os trabalhadores de Cubatão, principalmente os operários, precisam resistir e construir seu próprio caminho. Os trabalhadores da Indústria Mabe de Campinas e Hortolândia deram um excelente exemplo. Os patrões demitiram em massa e os operários responderam ocupando as fabricas contra as demissões e pelo pagamento dos direitos.

É hora de unir os trabalhadores de Cubatão e lutar. Para barrar os cortes de direitos, as demissões e conquistar moradias dignas. É preciso estatizar as empresas que demitem; acabar com as terceirizações e por pra fora todos que estão no poder de mãos dadas com os patrões: Dilma, Cunha, Aécio e o congresso nacional. Os trabalhadores devem construir um governo sem corruptos e sem patrões. É hora dos trabalhadores de Cubatão construírem o seu próprio partido na cidade, um partido Operário e Socialista.

Venha construir um partido socialista e revolucionário, entre em contato com o PSTU em Cubatão: Gabriel (13) 981687588.

14 de janeiro de 2016

Incêndio em Vicente de Carvalho: mais uma vez nossas vidas são colocadas em risco.

Luiz Xavier (PSTU BAIXADA SANTISTA)
A Baixada Santista é novamente atingida por um incêndio de grandes proporções. Segundo as últimas informações o incêndio iniciou com um vazamento de um composto do cloro no pátio de contêineres da empresa Localfrio em Vicente de Carvalho (distrito do Guarujá).
A avenida principal do distrito e vários bairros foram cobertos pela fumaça preta tóxica, colocando em pânico a população. Dezenas de pessoas passaram mal por inalar a fumaça. A fumaça já chegou em Santos. A falta de informação somada a paralisação dos transportes (ônibus e a barca que faz travessia para Santos) ampliou o medo.

A prefeita do Guarujá Maria Antonieta de Brito (PMDB) quase quatro horas depois do incêndio deu uma declaração dizendo que não sabe quais são as substancias presentes nos contêineres e pediu para que a população dos bairros num raio de 100 metros a partir do terminal se afastem da área e procurem abrigo na casa de parentes e amigos.
A declaração da prefeita demonstra que nem a prefeitura nem a Codesp (Companhia Docas do Estado de São Paulo) tem controle sobre a segurança da área portuária. Além disso a prefeitura não oferece nenhum abrigo para aqueles que não tem pra onde ir e não dá nenhuma orientação segura para os moradores dos vários bairros tomados pela fumaça que não estão na área indicada pela prefeitura.
Vivemos numa região que concentra o maior porto da América Latina e um enorme polo petroquímico com diversas empresas químicas de fabricação e transporte de combustíveis e outros produtos químicos altamente perigosos e letais. Esse novo incêndio, assim como o ocorrido ano passado na ULTRACARGO, é uma demonstração da insegurança pela qual passamos, os governos estão mais preocupados em garantir o lucro dos empresários do que garantir as medidas de segurança adequadas para os trabalhadores das empresas e a população da região. A população pobre e os trabalhadores que são os mais atingidos tem que lutar para mudarmos essa situação, não podemos esperar por uma nova tragédia!

4 de novembro de 2015

Em meio a greve dos petroleiros, debate em Santos discutirá futuro da Petrobras

A Petrobras vive hoje uma de suas maiores crises. Os ataques vêm de todos os lados. 

Sob as mãos do governo Dilma (PT), venda de ativos, terceirização, ataques aos direitos, desemprego, continuidade dos leilões do pré-sal. 

De outro, aproveitando a fragilidade da companhia, a velha direita tenta aprofundar ainda mais o desmonte da empresa. O projeto de José Serra (PSDB), que troca o regime de partilha por concessão, é uma expressão disso. 

Os petroleiros estão em plena greve nacional, numa luta que se enfrenta contra todos esses ataques. Para discutir a situação da empresa, assim como quais as saídas possíveis para este cenário, o PSTU Baixada Santista convida todos aqueles que lutam por uma Petrobras 100% Estatal para este importante debate.

CONVIDADOS 
Zé Maria | Presidente Nacional do PSTU 
Rivaldo Ramos | Dirigente histórico da categoria" petroleira 
Rafael Goes | Dirigente sindical, petroleiro da nova geração 

Dia e horário: Quinta feira, dia 05 de nov, às 18h.
Local: Rua Julio de Mesquita, 16, Vila Mathias, Santos. 

23 de outubro de 2015

É possível defender a Petrobras sem enfrentar o governo Dilma?

Leandro Olimpio, do PSTU Baixada Santista

Santos | 24 de outubro

Um dia após a Polícia Militar prender de forma arbitrária dois dirigentes do Sindipetro Litoral Paulista em uma mobilização, petroleiros da Refinaria Presidente Bernardes de Cubatão realizam um ato em repúdio à truculência da PM. É 15 de outubro, penúltimo dia da Jornada Unitária de Lutas, iniciativa que mobilizou a categoria em todo estado de São Paulo.

Altino Prazeres, presidente do Sindicato dos Metroviários de São Paulo e militante do PSTU, está presente. Em um determinado momento de sua intervenção, afirma de forma didática: “Quem mandou a PM pra cá não foi Deus, nem Diabo ou ninguém. Foi alguém. E esse alguém é exatamente a gerentada da Petrobras. E quem manda na gerentada da Petrobras? É o governo federal. E este governo tem nome. É o governo de Dilma, o governo do PT”.

A afirmação, que pode parecer óbvia para alguns, toca num tema que se apresenta como o principal entrave para a luta travada hoje pelos petroleiros: o esforço da Federação Única dos Petroleiros (FUP), que dirige 12 dos 17 sindipetros, de blindar o governo Dilma (PT). Esforço que tem um efeito perverso: atrapalha a construção da necessária greve nacional da categoria e ameaça, por consequência, as chances de vitória dos petroleiros na luta contra a venda de ativos e por um ACT digno. Em outras palavras, para proteger o governo e por tabela seus cargos de alto escalão na Petrobras, a FUP mais uma vez articula a derrota dos petroleiros.

Petroleiros em luta
Desde 24 de setembro, quase diariamente, os petroleiros das bases da Federação Nacional dos Petroleiros (FNP), que dirige cinco sindipetros, têm se mobilizado com trancaços, atrasos e cortes de rendição. Neste período, alguns sindicatos da FUP – em boa parte pressionados por suas bases - também realizaram paralisações como os Sindipetros Unificado SP e Rio Grande do Norte. Por diversas vezes, seja a direção da FNP, seja os próprios trabalhadores de base, convocaram a FUP a construir uma greve nacional unificada. Mas até agora nenhum desses chamados foi atendido, embora em contrapartida as bases da FNP tenham se incorporado nas datas articuladas anteriormente pela FUP. A greve de 24 horas realizada em 24 de julho, que unificou nacionalmente a categoria, é um exemplo.

Desde então, a FUP segue enrolando a categoria e postergando indefinidamente a data da greve, que neste momento poderia ser fortalecida ao se somar à greve já deflagrada pelos bancários. A aprovação da greve nas bases da FUP ocorreu no dia 2 de setembro, ou seja, quase dois meses atrás. Com direito a repercussão na grande imprensa, os dirigentes fupistas protocolaram na sede da Petrobras documento comunicando greve por tempo indeterminado a partir do dia 4 daquele mês. Mas a greve não saiu. Depois foi reagendada para o dia 5, dia 6, dia 7. Também não saiu. E até hoje segue sendo prometida, o que inevitavelmente tem gerado muita revolta entre os trabalhadores, que já encaram a greve da FUP uma piada de mau gosto.

Desmonte do patrimônio e dos direitos
Mergulhada em uma de suas maiores crises, eclodida com o escândalo de corrupção da operação Lava Jato, a Petrobras tem sofrido um verdadeiro desmonte. Como "solução", o presidente da companhia, Aldemir Bendine, ou Vendine, como é conhecido na categoria, apresentou como principal medida o Plano de Negócios e Gestão, que inclui a venda de US$ 60,00 bilhões em ativos, sendo US$ 15,1 bilhões em 2015/2016. Isso significa a entrega para a iniciativa privada - parcial ou completa em alguns casos - de uma série de unidades e outros investimentos da empresa. Isso sem falar no resultado mais perverso dessa política: já temos um saldo superior a 100 mil demissões – a imensa maioria de petroleiros e petroleiras terceirizadas que trabalhavam nas obras de expansão da companhia como o Comperj (RJ).

Em relação ao patrimônio da empresa, já estão em curso negociações para a abertura de 25% de ações da BR Distribuidora, venda de 49% da Gaspetro, venda de campos maduros no Nordeste e de termelétricas, além da continuidade dos leilões de petróleo no pré-sal. No dia 7 de outubro, realizou-se a 13ª rodada de licitações de blocos exploratórios. O resultado foi desastroso para a soberania do país: 14% das ofertas arrematadas, concretizando mais um passo da privatização de nossas riquezas.

Mas a redução de custos não é aplicada apenas à custa do desmonte da companhia. É também retirando direitos históricos dos petroleiros. Como “proposta” para o Acordo Coletivo de Trabalho, a companhia propõe reajuste abaixo da inflação (5,73%), redução no percentual pago como hora extra (de 100% para 80%), redução da jornada de trabalho com redução salarial, além de corte em diversos benefícios sociais e outros ataques.

Não há como esconder a realidade: embora o executor final de todos esses ataques seja o presidente Bendine, a ordem vem de cima. Ou seja, o mentor desse plano é o Governo Federal, é o governo de Dilma (PT), que está impondo uma série de ataques ao conjunto da classe trabalhadora. É justamente essa realidade que a FUP tenta esconder da categoria.

Duas táticas contra a categoria: “pauta política e judicialização"
Uma maneira encontrada pela FUP para enrolar a categoria, até agora, tem sido a recusa em discutir e negociar o acordo coletivo. Para justificar o abandono da luta por reajuste salarial, afirma que a batalha deve ser por uma pauta política, chamada de 'Pauta pelo Brasil'. Ou seja, ignora as negociações envolvendo as cláusulas econômicas e sociais, reduzindo sua atuação à reivindicação por outra política para a crise da empresa, cobrando a retomada dos investimentos no lugar da venda de ativos.

Dessa forma, tenta criar uma contradição entre as lutas em defesa da Petrobras e dos direitos da categoria que a rigor não existe. Pelo contrário, fazem parte de uma luta só na medida em que são aplicadas pela empresa com um mesmo objetivo: reduzir custo privatizando a empresa e retirando direitos. Se resta ainda alguma dúvida disso, na edição 869 da revista Carta Capital, numa propaganda de 14 páginas paga pela Petrobras, pelo Banco do Brasil e pelo Governo Dilma, consta que a proposta de ACT apresentada aos petroleiros atende à redução de gastos que a empresa precisa. Ou seja, a própria companhia admite que os ataques aos direitos dos petroleiros integram seu plano de negócios. É por essa mesma razão que derrotar a estratégia da direção da empresa para o ACT é fortalecer a campanha contra o plano de privatização do Sistema Petrobras.

Outra tática, essa mais recente, é a judicialização da campanha. Com o pretexto de garantir o controle da operação, negociando quadro mínimo, a FUP recorreu ao Ministério Público do Trabalho (MPT) antes mesmo de iniciar a greve. Na primeira reunião realizada entre Petrobras, FUP e MPT, os representantes do Ministério já declararam que o objetivo é evitar a greve - não regrá-la. Não seria nenhuma surpresa que na nova reunião agendada, para 29 de outubro, a categoria receba de presente um regramento que sirva para desmobilizar a categoria, jogando um balde de água fria na disposição de luta que existe hoje entre os trabalhadores.

Acreditar no que a FUP fala ou faz?
 "A prática é o critério da verdade”, nos ensina o marxismo. E isso nos ensina muito sobre o papel da FUP neste momento também. Desde o início da campanha e do anúncio da venda de ativos, a FUP se coloca contra a venda de ativos e o desinvestimento, mas se recusa a dizer quem é o “pai da criança”. Ao mesmo tempo em que esconde a responsabilidade de Dilma nos ataques, o que desarma a categoria, deposita uma artilharia pesada de propaganda contra os ataques que partem da velha direita e da grande imprensa. É o que poderíamos chamar de “indignação seletiva”.

É preciso denunciar e enfrentar de maneira contundente o projeto de lei de José Serra para o pré-sal (PLS 131), cuja intenção é mudar o regime de partilha para concessão e assim aprofundar ainda mais a entrega do petróleo brasileiro às multinacionais, que já acontece a passos largos no governo Dilma. O leilão de Libra é apenas um exemplo. No entanto, mesmo os ataques que hoje se apresentam pelas mãos da velha direita só voltaram a ganhar espaço na agenda política de ataques aos trabalhadores que domina o país porque os governos de Lula e Dilma assim permitiram ao abrir uma avenida para a corrupção dentro da empresa.

Com razão, a velha direita deve ser combatida sem hesitação, pois é a inimiga histórica dos trabalhadores. No ano em que se completam 20 anos da greve de 1995 a categoria petroleira sabe muito bem o que representa PSDB e companhia. Por isso, teme os ataques que partem da direita e dos meios de comunicação e não quer a volta da turma do FHC.

Por isso mesmo, e só por isso, a FUP ainda consegue desviar a luta da categoria. Ao reproduzir com força o discurso de um suposto golpe iminente contra o governo Dilma (PT), estimula o medo da categoria sobre uma possível volta de um governo tucano e assim trava a construção da greve nacional unificada.

Para impedir a venda de ativos e os ataques aos direitos, greve nacional dia 29!
Não ser honesto com a categoria é conspirar contra ela. É preciso ser franco: os ataques à Petrobras e aos direitos da categoria são aplicados centralmente por Dilma (PT). Esta é a verdade, por mais que seja difícil admitir, afinal muitos petroleiros votaram no atual governo acreditando que o PT não faria igual aos tucanos.

Esses ataques não acontecem por acaso. Pelo contrário, são parte do ajuste fiscal do Governo Federal que joga nas costas de toda a classe trabalhadora a conta da crise. Enxergar os desafios da categoria petroleira como tarefas pontuais, restritas aos muros da Petrobras, é preparar a derrota dos trabalhadores petroleiros.

Por isso, afirmamos que não é possível defender a Petrobras e os direitos da categoria sem enfrentar os ataques do governo federal, sem derrotar a política de arrocho salarial e desmonte do patrimônio público. É preciso derrotar o governo Dilma, o PSDB, o PMDB, enfim, vamos dar um basta em todos os inimigos dos trabalhadores. Chega de todos eles! Precisamos construir uma alternativa dos trabalhadores.

Neste sentido, para defender a Petrobras e os petroleiros, foi correta a iniciativa da FNP de marcar o início da greve nacional dos petroleiros para o dia 29 de outubro. As bases da FUP devem exigir que seus sindicatos rompam com o governo e também iniciem a greve nacional no dia 29. Não há mais tempo a perder!

A carta enviada pela FNP ao Conselho Deliberativo da FUP, no último dia 19, nos parece muito feliz não só por exigir que a outra federação chame enfim a greve, mas por apontar uma tarefa grandiosa, mas necessária: "só a radicalização da mobilização será capaz de reverter o Plano de Desinvestimento da Petrobras de Bendine/Dilma e impedir que o PLS privatista do senador José Serra prospere no Congresso Nacional”.