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29 de maio de 2013

Aumento da violência em SP: a culpa é sua, Alckmin!

A população pobre e trabalhadora do estado de São Paulo já não suporta mais o governo de Geraldo Alckmin (PSDB). Todos estão cansados da política de criminalização da pobreza, da destruição da educação pública no estado, da violência contra os professores, dos ataques recorrentes ao funcionalismo estadual, enfim, de um governo que faz tudo para os ricos e que odeia os pobres. Segundo as mais recentes pesquisas de opinião, o descontentamento popular em relação ao governo do PSDB continua crescendo.

Nesse momento, Alckmin enfrenta também uma grave crise no campo da segurança pública. Os números da violência urbana só aumentam, amedrontando a classe média e vitimando ainda mais a população pobre e negra das comunidades carentes. Para tentar diminuir o seu desgaste, o governador anunciou, na última semana, uma nova medida: a concessão de um “bônus-prêmio” semestral de até R$ 10 mil para os policiais que diminuírem os índices oficiais de crimes em suas áreas de atuação.

Nesta nota, o PSTU apresenta sua opinião a respeito da política de “bônus” salarial aos policiais, bem como nossas propostas para fazer frente à violência urbana e ao governo reacionário de Geraldo Alckmin (PSDB).

A violência toma conta de São Paulo
A violência cresce de forma assustadora em São Paulo. As famílias dos bairros pobres, a juventude das periferias, os negros e as mulheres são as maiores vítimas. Os crimes chocantes sucedem-se numa velocidade assustadora. Em meados de abril, os jornais anunciaram mais um crime bárbaro: uma dentista foi queimada viva numa tentativa de assalto. Dias depois, uma jovem trabalhadora foi estuprada esperando um ônibus público num bairro periférico da capital. Na semana seguinte, a televisão informou sobre uma nova chacina policial que matou jovens negros inocentes. Na Virada Cultural, no início de maio, os arrastões aterrorizaram quem pretendia apenas se divertir. 

O clima de apreensão e medo toma conta da população paulista. E não é por menos. De acordo com dados do próprio governo de São Paulo, referentes ao primeiro trimestre de 2013, houve crescimento em todos os tipos de crime em relação ao mesmo período do ano passado, principalmente na capital. Os casos de homicídio doloso aumentaram 18,2%, enquanto registros de estupro cresceram 26%. O latrocínio, roubo seguido de morte, é o tipo de crime que mais aumentou. Nos três primeiros meses de 2012, verificou-se uma alta de 82%. É importante sublinhar ainda que a estatística oficial não reflete os números reais da criminalidade, uma vez que são geralmente “maquiados” pelo governo estadual.

“Bônus-prêmio” não reduzirá a violência... mas aumentará a repressão
A proposta de “bônus-prêmio” consiste em estimular financeiramente os policiais para reduzir o número de crimes e roubos em suas áreas de atuação. Além de representar uma “cortina de fumaça” que não reduzirá a atual escalada de violência, a nova medida do governo tucano certamente significará um “estímulo” ainda maior à escandalosa “maquiagem” dos números e estatísticas oficiais. A nova política também servirá como potente incentivo à competição e à “produtividade” entre os policiais.

Por um lado, portanto, se ampliará enormemente os mecanismos de corrupção e manipulação dos dados visando diminuir artificialmente os números da criminalidade. Assim, muitos dos crimes que ocorrerão provavelmente não serão registrados, de modo que não contarão nos índices oficiais, sendo assim um caminho fácil para a bonificação dos policiais. E o que é pior: em breve, por meio de números mascarados, o governo estadual propagandeará a “diminuição dos índices de criminalidade”.

De outro lado, a medida servirá como um poderoso instrumento de incentivo à repressão policial, especialmente no que se refere à manipulação de responsabilidades na determinação de “suspeitos” e “culpados”. Se atualmente, sobretudo nas periferias das cidades, ocorrem inúmeras chacinas policiais que exterminam pessoas inocentes supostamente acusadas de crimes ou “atos ilícitos”, imaginemos o que ocorrerá quando os policiais receberem um incentivo financeiro para “desvendar” crimes e diminuir os números oficiais da violência urbana.

O resultado, por consequência, será inevitável: o aumento de mortes e de incriminações de inocentes tendo como objetivo a fabricação de estatísticas favoráveis à bonificação. Os jovens, os pobres, os negros, os trabalhadores da periferia, usualmente vítimas da corrupção e da violência policial, agora sofrerão adicionalmente com a “caça” de “criminosos” em troca do bônus-prêmio.

Contra a repressão e o aumento da violência
Na opinião do PSTU, a política do PSDB de forte aumento da repressão policial por meio de incentivos e estímulos, como o “bônus-prêmio”, ao invés de diminuir a criminalidade e a violência, representa apenas o reforço do extermínio sistemático e crescente da população jovem, trabalhadora e negra das periferias.

É preciso dizer a verdade aos trabalhadores: o governo Alckmin, conhecido pelo ódio contra os pobres e pelas repressões sangrentas, como nos casos do massacre do Pinheirinho em São José dos Campos e da brutalidade policial contra os professores estaduais na Avenida Paulista; já passou de todos os limites!

Por isso, é necessária uma luta sem tréguas contra o governo do PSDB. Nesse sentido, é preciso que todos os movimentos sociais, os sindicatos, partidos de esquerda, associações de bairro, organizem uma grande luta para derrotar a política de extermínio e repressão ao povo pobre e trabalhador. Responsabilizando diretamente Alckmin e o PSDB, inimigos dos pobres e dos trabalhadores!

O PSTU entende também que é preciso exigir do governo Dilma e de Haddad que não sejam coniventes com o massacre tucano. De olho na eleição para o governo de São Paulo em 2014, o PT aproveita a situação de caos para desgastar politicamente o PSDB. Mas, o que o governo federal esquece de dizer, é que, em nível nacional, defende uma política semelhante de repressão e violência policial contra o povo pobre e trabalhador, o envio da Força Nacional para reprimir a greve dos operários da usina de Belo Monte comprova essa afirmação. É preciso que Dilma e Haddad se pronunciem e tomem medidas efetivas para conter a sanha repressiva de Alckmin!

Um programa dos trabalhadores contra a violência urbana!
É urgente um programa dos trabalhadores para acabar com a espiral sem fim de violência e repressão. De forma imediata, é necessário exigir a derrubada da medida que criou o “bônus-prêmio”, o qual apenas representará a maquiagem dos índices de violência e o incentivo à repressão. Na periferia, o resultado será um só: mais mortes de jovens inocentes, supostamente “suspeitos” e “culpados” de crimes.

Da mesma forma, é preciso exigir o fim “estado de sítio” imposto pela polícia aos bairros pobres e periferias, que geralmente terminam em massacres de jovens e negros. É preciso também, em caráter de urgência, investigar, apurar e condenar severamente os responsáveis pelo extermínio de pessoas inocentes nas chacinas policiais. Chega! Mais nenhum jovem, negro e trabalhador morto pelas mãos da Polícia do PSDB e do crime organizado!

Todas essas medidas são muito importantes, porém insuficientes. A atual polícia está estruturalmente conectada aos negócios do crime organizado e à repressão ao povo pobre e trabalhador. Não é possível acabar com a violência por meio de uma polícia que é justamente a maior geradora da violência urbana. É preciso formar uma força de segurança civil, com direitos democráticos como o de sindicalização e greve, totalmente controlada pela população através de seus organismos como conselhos populares, sindicatos e associações de moradores.

Por fim, o PSTU acredita que a raiz de fundo do problema são as injustiças sociais inerentes à sociedade capitalista. Dito em outras palavras, a base social da violência em curso está assentada na exclusão social, miséria, baixos salários, bem como na falta de educação, saúde, moradia digna, lazer e cultura.

Combater a injustiça social que produz a violência urbana, por sua vez, deve significar uma política econômica voltada para os trabalhadores, e não para os banqueiros e grandes empresários como ocorre atualmente, tanto em nível estadual quanto em termos nacionais. O PSTU está a serviço desse programa dos trabalhadores.

Direção Estadual do PSTU-SP

28 de maio de 2013

O peão e a greve: relatos da luta dos operários da construção civil de Cubatão


Gabriel Casoni, militante do PSTU

Cubatão (SP), 06 de maio.  Explode a greve dos trabalhadores da construção civil, mais de 10 mil operários de braços cruzados. Na refinaria da Petrobrás, todas as obras estão paradas. Na fábrica de fertilizantes da Vale, nenhum terceirizado bateu o ponto. Em todas as demais empresas petroquímicas, a adesão é total. A peãozada está em greve. E não está para brincadeira.  

A exploração e a luta
Do lado de fora da refinaria, se observa as torres enormes, a fumaça incessante e um mar de operários que ergue gigantescas construções. O peão faz a riqueza, mas fica apenas com a miséria. Mortes, choques, mutilações e acidentes: o cotidiano dramático que massacra e destrói. No ano passado, um operário terceirizado do Petrobrás morreu sob os escombros de um forno sucateado. Obras multimilionárias de um lado, mortes e os salários baixos de outro.  A combinação de ingredientes é explosiva.

E tal como em Jirau, Belo Monte, Comperj, Fortaleza, Sergipe e Belém do Pará, os trabalhadores da construção civil de Cubatão estão insatisfeitos. Porém, não é só raiva: é uma disposição de luta enorme - do tamanho das obras que eles levantam com força, destreza e suor.    

Raimundo, que trabalha na refinaria, explica: “È muito trabalho, é muita obra... o salário é ruim. Temos que ir pra cima pra tirar o que é nosso. Da boa vontade das empresas, não vem nada. Em todo lugar tá tendo greve. Em São José conseguiram muita coisa. É assim que a coisas melhoram”.           

O ato e a “cavalaria” operária
13 de maio. Após oito dias de greve, ninguém voltou ao trabalho e a concentração para o ato de rua reúne milhares de operários. Numa roda de trabalhadores, converso com Pedro, que é eletricista. Pergunto sobre a greve, de forma direta e simples ele me responde: “Não tem jeito, sem greve não tem como. Só assim para aumentar o salário”.   Logo em seguida, questiono sobre a força da mobilização, com um sorriso incontido no rosto ele me fala: “Olha ali (na rua), é muito peão... tá tudo parado”.

O ato sai em marcha. Depois de passar em frente à praça da histórica greve de ocupação da refinaria de Petrobrás em 1995, a manifestação ganha a principal avenida da cidade. No caminhão de som, o sindicalista avisa “É para ocupar meia pista, está combinado com a Polícia”.  Porém, a turma não deu muita bola pra ele. Um operário fala alto: “Meia pista o quê! É a avenida inteira!”. E a maré operária toma conta das duas pistas.

Um fato inusitado chama a atenção. Atrás da passeata, vão cerca de cem motoqueiros produzindo um barulho ensurdecedor com a “explosão” repetida do motor, são todos trabalhadores em suas motos. A “coluna” dos motoqueiros faz a cobertura do ato, um tipo de “cavalaria” da manifestação. Não deu outra: a polícia, amedrontada pelos motoqueiros, não ousou se intrometer na passeata.
           
O peão e a assembleia
A assembleia ao final do ato é quente. A diretoria do sindicato, ligada à Força Sindical, vai defender a aprovação da proposta apresentada pela patronal. O presidente do sindicato anuncia: 9% de aumento salarial, pagamento de metade dos dias parados, R$ 17 de ticket alimentação, etc. Apreensão... Qual será a posição dos trabalhadores?

Num instante, o silêncio inicial da peãozada se transforma numa sonora vaia e os gritos de “não, não!” formam um coro uniforme.  A face do sindicalista se enruga e suas falas se tornam vacilantes enquanto o suor corre pelo rosto. Claramente transtornado, ele parte ao passo seguinte: colocar medo nos trabalhadores. “Podemos perder todas as conquistas. A justiça vai dar menos. Não podemos arriscar” afirma no carro de som. A vaia continua, mas agora se ouve alguns gritos irritados de “Pelego, pelego”. O sindicalista põe a proposta em votação. Ninguém é favorável. “A greve continua!” grita um trabalhador em meio a uma onda entusiasmada de aplausos.  Sem rodeios, a categoria atropela a diretoria do sindicato.

No final da assembleia, num grupo de trabalhadores, o assunto era sobre os “fura-greves”. Um operário dirige-se ao outro e explica satisfeito: “Tem que ser democrático. Você pega o pelego pelo queixo e...”. Já deu pra entender: não é uma boa Idea furar a greve por lá.

O peão e o partido
14 de Maio. Na multidão de operários em assembleia, o panfleto do PSTU vai de mãos em mãos. Diversos trabalhadores pegam espontaneamente inúmeros boletins para distribuir entre os presentes. O material já passou a fazer parte do cotidiano da greve e é bastante disputado pelos operários. No outro canto, a faixa colorida do partido em apoio à greve vira atração e vários operários começam a tirar fotos ao lado da faixa.

Quando a assembleia começa, a proposta da patronal é de novo colocada em votação. “Quem é a favor da proposta?”. Vaia. “Quem é contra?”. Todo mundo levanta os braços, e neles estão os panfletos do partido estendidos dizendo: “A greve não pode parar!”.

O apoio ativo do PSTU ganhou força real no movimento: seus panfletos e a solidariedade efetiva de seus militantes já são parte da luta em curso.

O peão e a burguesia          
15 de maio. A greve já completa 10 dias. O ânimo e a confiança ainda dão o colorido do movimento. “Não tem como, eles (as empresas) vão ter que aceitar. Tá vendo ali, tá cheio de soldador, montador e eletricista, não tem nada funcionando. Repor dia parado? Nem morto... Vamos ganhar!” diz confiante o trabalhador.

A fala de Luis, montador na Refinaria, é especialmente significativa. Quando pergunto sobre a possibilidade de derrota da greve, ele me responde: “Problema na minha vida é se acontecer alguma coisa com meus filhos. Se der errado aqui, fazer o quê?  O que não pode é baixar a cabeça pra patrão. A greve é a arma que a gente tem, né?”.

Assim, na luta, o operário contrapõe os seus interesses imediatos aos da burguesia, define as fronteiras de classe e impõe o confronto aberto entre elas. A luta da peãozada de Cubatão ainda está indefinida quando escrevo essas linhas (leia aqui matéria sobre o desfecho da greve). Os trabalhadores podem ganhar ou perder. Mas a lição mais importante dessa greve o operário Luis já nos ensinou.  

*Todos os nomes citados neste texto são fictícios por uma questão de segurança dos trabalhadores. 

Artigo originalmente publicado no Opinião Socialista 460


23 de maio de 2013

Em Santos, grandes grupos financeiros são os maiores beneficiados com a MP dos Portos


* Cauê Cavalcante, petroleiro e militante do PSTU

De olho em mais uma boa oportunidade de lucro fácil, com praticamente nenhum investimento, o Grupo CR Almeida incorporou, ainda em 2012, as empresas associadas Tecondi, Termares e Termlog, que atuam no Porto de Santos - o maior da América Latina.

O Grupo que já contava com cinco concessões rodoviárias (em São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul), sob administração da EcoRodovias Concessões, e 15 unidades de logística, controladas pela Elog, distribuídas no Sul e no Sudeste do país, agora detém o Complexo Tecondi, Termares e Termlog, 3º maior terminal portuário do Porto de Santos e 5º maior do Brasil.

Antigo “parceiro” do poder público, o Grupo CR Almeida deve trazer para o Porto sua receita de sucesso nas concessões rodoviárias: altas tarifas e pouco investimento.

Recordista em desinvestimentos em 2012, segundo a revista Valor Econômico, a EcoRodovias cortou R$ 242 milhões (ou 32%) do orçamento previsto para o período. Entre os investimentos adiados estão aportes da Ecovias - subsidiária responsável pelo Sistema Anchieta-Imigrantes (que liga a capital paulista ao litoral do Estado). O investimento da Ecovias no ano passado foi R$ 38,1 milhões inferior ao previsto.

O poder público afirma não dispor de dinheiro para investir, daí o argumento para as privatizações e PPPs (Parcerias público-privadas). Já as empresas com contrato com o governo não cumprem a cláusula que determina esse investimento e sequer são sancionadas, continuando a operar impunemente. As concessões portuárias em Santos, com edital previsto para junho deste ano de acordo com a nova lei, sofrerão com o mesmo problema. É o poder público garantindo mais dinheiro aos já milionários empresários.

Neste sentido, a privatização dos portos por meio da medida provisória aprovada recentemente no Senado e na Câmara dos Deputados apenas aprofunda a farra dessas empresas. Não por acaso, como publicou a Folha de S. Paulo recentemente, "um grupo de 28 empresas e famílias que exploram portos no Brasil injetou pelo menos R$ 121,5 milhões em campanhas eleitorais e na direção de partidos políticos em apenas três anos, de 2010 a 2012".

Richard Klien, sócio do grupo Opportunity, do banqueiro Daniel Dantas, na Santos Brasil, doou juntamente com seus familiares R$ 3,6 milhões como pessoas físicas. Desse total, metade foi para o comando nacional do PMDB. Klien é antigo apoiador do senador José Sarney (PMDB-AP).

O grupo empresarial sob controle de Dantas, que inclui o banco Opportunity e a Agropecuária Santa Bárbara, doou mais R$ 3,9 milhões, 97,4% dos quais para a Direção Nacional do PT. O maior doador do setor de portos foi o grupo Odebrecht, com R$ 66 milhões. O PT recebeu 36% desse volume, seguido por PSDB (28,5%) e PMDB (22%). A Libra Holdings direcionou 57,5% de suas doações para o PSB, partido do ministro Leônidas Cristino (Secretaria Especial de Portos).

O valor doado pelo setor de portos nesses três anos equivale a tudo o que foi arrecadado pelos prefeitos eleitos de 26 capitais em 2008, em valores nominais. A relação promíscua entre os representantes do Poder Público e a iniciativa privada desmonta todo e qualquer tipo de argumentação técnica ou política sobre a necessidade de "modernizar" e "corrigir os gargalos" dos portos.

Para que tenhamos um comércio exterior de ponta, com os investimentos necessários para desafogar as mercadorias produzidas em nossa terra, precisamos de uma empresa portuária estatal.

Uso obrigatório do cartão e aumento na passagem. A inovação de Paulo Barbosa (PSDB) para o transporte


Após adiar por um mês a obrigatoriedade do uso de cartão-transporte nos ônibus de Santos, o prefeito Paulo Alexandre Barbosa (PSDB), o Paulinho Paulada, colocou em prática hoje, 23 de maio, uma medida que apenas confirma aquilo que o PSTU já havia denunciado durante o período de campanha eleitoral: Paulo Barbosa irá governar para os ricos.

O veto ao uso de dinheiro nos ônibus - um verdadeiro presente de Paulo Barbosa à Piracicabana - irá engordar ainda mais o já generoso orçamento da viação, cujo faturamento segue fechado a sete chaves até hoje. 

Com a alteração, a viação Piracicabana extingue a dupla função dos motoristas, que recebiam um adicional por esta tarefa extra, mas em contrapartida não promove a contratação de cobradores, antiga reivindicação da população e dos próprios motoristas.

A economia aos cofres da empresa será, evidentemente, enorme. Somado a isso, os proprietários da viação não correm mais riscos de assaltos, uma vez que não haverá mais circulação de dinheiro nos veículos. O mesmo não podemos dizer dos usuários, que seguirão expostos aos riscos de furtos e assaltos.

O prefeito tucano promete "eficiência" na alteração, alegando a criação de inúmeros postos de venda de cartões (diretos e terceirizados), inclusive alguns 24 horas. Entretanto, a população já tem apontado diversas falhas, como o anúncio de postos de venda que não prestam os serviços anunciados e que sequer funcionam durante toda a madrugada. Além disso, "coincidentemente" alguns postos vendem apenas cartões com 10 passagens, sendo os cartões múltiplos de apenas "ida e volta" artigos raros na cidade. Esta "falha" permite à empresa um adiantamento generoso de dinheiro. 

Aos trabalhadores e trabalhadores de outras cidades que, por acaso, estiverem em Santos pela primeira vez - e de madrugada - o problema é ainda maior. Afinal, além de ter que comprar cartões com 10 passagens, correm o risco de nem mesmo conseguir comprar esses cartões caso não estejam perto de um posto de venda 24h que realmente exista ou funcione.

As excepcionalidades, que seriam o pagamento da passagem em dinheiro três vezes no mês, não funcionam nem mesmo no primeiro dia do novo sistema. Já existem reclamações de usuários que foram obrigados a descer do ônibus por não terem o cartão - seja porque ainda não chegou em sua casa, seja porque discordam desta imposição absurda. 

Aumento na passagem é certo
Somado ao novo sistema, o prefeito inaugurou a nova frota de ônibus. Anunciada com muito entusiasmo pelo governo municipal, os tais 30 veículos equipados com Wi-Fi e ar-condicionado servirão para "justificar" o iminente aumento na passagem.

Em entrevista ao jornal A Tribuna, no dia 2 de abril, o prefeito afirmou que a solicitação de aumento nas tarifas já é um pedido que está em sua mesa desde o primeiro dia do seu mandato. "Os reajustes têm um calendário. Tanto que outras cidades da região já reajustaram", afirmou o prefeito. Nesta quinta-feira, em entrevista ao jornal A Tribuna, ele foi ainda mais claro ao dizer que "existem outros componentes que influem no valor como diesel, que serão avaliados". 

Representantes da Piracicabana também preparam o terreno. Ao mesmo jornal, afirmaram que "só o ar-condicionado instalado nos ônibus consome entre 20% e 30% a mais de diesel". Ou seja, as "melhorias" oferecidas pela empresa e pelo prefeito não virão sem um alto custo para os passageiros, que seguem sofrendo com ônibus lotados e longas esperas nos pontos. 

Este é o resultado da mercantilização do direito de ir e vir, com a privatização de um direito constitucional: o acesso da população a um transporte público e de qualidade.

Por isso, o PSTU defende:

- Abertura imediata do faturamento da Viação Piracicabana;
- Revogação da medida que impede o pagamento em dinheiro;
- Retorno da função de cobrador para gerar empregos e acabar com a dupla função;
- Estatizar toda a rede de transporte para poder planificar o transporte e baratear as passagens;
- Investir 2% do PIB para o transporte público estatal e de qualidade, permitindo assim investimentos em transporte metroferroviário;
- Implantação de tarifa reduzida (social) para possibilitar acesso a população, estendendo a gratuidade aos estudantes e desempregados;
- Nenhum dinheiro público para o sistema privado!

20 de maio de 2013

Vitória da greve da construção civil de Cubatão!

Gabriel Casoni, do PSTU Baixada Santista (SP)

Após 14 dias de paralisação, terminou nessa segunda-feira (20 de maio) a greve dos 10 mil operários da construção civil de Cubatão. Os trabalhadores conquistaram 10% de aumento salarial, R$ 17 de ticket alimentação e PLR de 1,3 salários.

A força da greve foi tão grande que o acordo incluiu o não desconto dos dias parados e tampouco haverá reposição desses dias. Em resumo: uma enorme vitória dos operários, que serve de exemplo aos trabalhadores de todo país!

Nesta assembleia de segunda-feira, mesmo com a aprovação da proposta, praticamente a metade dos trabalhadores queria a manutenção da greve. Esse fato demonstra o tamanho da disposição e da confiança dos trabalhadores em luta. Por duas semanas, os operários pararam todas as obras da refinaria da Petrobras e da fábrica de fertilizantes da Vale, além de muitas outras empresas petroquímicas da região.

A força dos operários também se manifestou na recusa, em várias assembleias, de propostas rebaixadas apresentadas pelo sindicato da categoria, o Sintracomos, que é ligado à Força Sindical.  A garra e a união da peãozada, por fim, quebraram a resistência da patronal, que foi obrigada a avançar nas negociações.

Lutas em todo país e o governo Dilma do lado dos patrões
A greve da construção civil de Cubatão insere-se num contexto de grandes lutas na construção civil em todo país. A realidade de norte a sul é a mesma: baixos salários, muitos acidentes, grandes obras e um regime de trabalho na base do “chicote”. Por isso, os operários se levantam em Belo Monte, Comperj, Jirau, Fortaleza, Belém do Pará, Aracajú e em muitas cidades e obras.

Essa onda de greves esclarece também de quê lado está o governo Dilma. Para os empresários e as empreiteiras: um rio de dinheiro do governo federal e todas as “bondades” possíveis, como isenção fiscal e crédito barato.  Aos trabalhadores em luta por salários dignos e condições de trabalhos decentes: a política do “cassetete” e o apoio aos patrões na repressão às greves.

Para enfrentar a ganância dos patrões, a truculência do governo e, muitas vezes, as direções sindicais pelegas, os trabalhadores podem contar com um importante ponto de apoio às suas lutas: a Central Sindical e Popular - CSP-Conlutas e, no terreno partidário, a militância do PSTU.

Parabéns aos operários de Cubatão pela grande greve e pelas conquistas obtidas!

16 de maio de 2013

Todo o apoio à luta dos servidores de Cubatão!


Raphael Guedes, PSTU Baixada Santista

A prefeita de Cubatão Márcia Rosa (PT), da mesma forma que o governo Dilma, segue o receituário tucano e governa para os empresários, atacando os trabalhadores.

A situação caótica dos servidores de Cubatão é uma clara demonstração dessa realidade. Os trabalhadores da Prefeitura não têm Plano de Carreiras e Salários, sofrem com 19,29% de perdas salariais só na gestão petista (7,16% apenas nos últimos 12 meses), atrasos no recebimento de benefícios e problemas na Caixa de Previdência.

Como se não bastasse, outro ingrediente é adicionado à extensa lista de ataques de Márcia Rosa à categoria: a absurda perseguição de 12 trabalhadores da Prefeitura por meio de processo administrativo com recomendação de exoneração. A justificativa? A participação desses servidores em um protesto contra a prefeita no fim do ano passado.

Aumento Salarial Zero e abono "Casas Bahia"
Neste ano, a prefeita fez a proposta indecorosa de conceder um abono de apenas R$ 300 não incorporado ao salário e dividido em seis meses. Além disso, ofereceu um "aumento" de irrisórios R$ 0,70 no vale-refeição. Uma absurdo. 

Após as tentativas da diretoria pelega do Sindicato dos Servidores Públicos de Cubatão (Sispuc) de impedir a mobilização da categoria, a oposição organizou um coletivo de servidores que pressionou e garantiu um ato e uma grande assembleia da categoria na última terça-feira, 14 de maio.

Assista aqui ao vídeo com trecho da assembleia de terça-feira

Os trabalhadores presentes rejeitaram a proposta da Prefeitura e votaram estado de greve, com a realização de uma paralisação na próxima terça, dia 21 de maio, quando  será realizada nova assembleia para decidir os próximos passos da mobilização.

Entre outras reivindicações, os servidores exigem reajuste inflacionário somado à reposição das perdas salariais, a aprovação do Plano de Carreira e a retirada do processo contra 12 servidores que participaram das manifestações pelo reajuste de salário no ano passado. 

Nós, do PSTU Baixada Santista, somos solidários à luta dos trabalhadores e exigimos da prefeita Márcia Rosa o atendimento da pauta de reivindicação da categoria e o fim da perseguição aos ativistas da categoria.